27 jan 2020

Aplicação sustentável de agrotóxicos é aposta de agtechs

A aplicação de agrotóxicos em áreas próximas a povoações é proibida no Brasil. Mas, casos do gênero continuam a aparecer e causar transtornos no país. Esta semana, mais um deles teve desfecho nos tribunais com a decisão da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul de condenar um produtor rural, um piloto agrícola e a contratante do serviço, C. Vale Cooperativa Industrial, a pagar R$150 mil, a título de danos morais, à comunidade indígena Tey Jusu, em Caaparó (MS).

Os membros da comunidade relataram às autoridades que o avião sobrevoou moradias de sete famílias derramando um fungicida de classe 3 (moderadamente tóxico) sobre elas. A aspersão causou dores de cabeça, de garganta, diarreia e febre em crianças e adultos.

Para pôr fim a esse tipo de ocorrência no campo e reduzir o risco de o consumidor, na outra ponta, comprar produtos oriundos de práticas ilegais, duas startups do agronegócio se juntaram. A mineira Safe Trace e a paulista Perfect Flight irão lançar juntas a Perfect Trace, ferramenta que promete garantir que os agrotóxicos estão sendo aplicados dentro do raio permitido, na dose recomendada e em propriedades que respeitam, além das normas de aplicação, a legislação ambiental e trabalhista.

O casamento de ideias nasceu no programa Intensive Connection, conduzido pelo Agtech Garage, hub de inovação sediado em Piracicaba (SP), em parceria com a Bayer, OCP Fertilizantes, Ourofino Saúde Animal e Sicredi. De um total de 16 startups selecionada, a Safe Trace e Perfect Flight foram escolhidas para criar um projeto piloto na área de agricultura sustentável para a multinacional alemã, que está entre as maiores do mundo no setor de defensivos.

“O projeto com a Bayer será um primeiro passo para o lançamento do nosso novo produto na safra 2020/21”, disse Leonardo Luvezuti, gestor de operações da Perfect Flight. A startup desenha planos de voo para aplicação de defensivos com base em mapas georreferenciados das propriedades, com identificação de áreas de preservação permanente (APPs) e reserva legal, e se baseia também em dados climáticos e de infestação por pragas e doenças, ambos de parceiros, para definir o melhor momento de pulverização. A esta abordagem irá se somar o protocolo de rastreabilidade da Safe Trace, que usa o blockchain para garantir a confiabilidade das informações que entrega a seus clientes, principalmente varejistas. Em diferentes bancos de dados, a startup consulta a situação de fornecedores quanto a questões como desmatamento e trabalho escravo. Hoje, a empresa faz rastreabilidade da linha própria de frutas, verduras e legumes do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e da carne bovina sustentável do GPA, Carrefour e BIG.

“Com o Perfect Trace, queremos criar valor para o agricultor, que poderá atestar a qualidade e a origem do seu produto. E para a indústria, que terá condições efetivas de acompanhar a produção mais de perto e auxiliar o agricultor com melhores práticas”, afirmou Vasco Picchi, diretor de novos negócios da Safe Trace. A startup já atende hoje a Bayer fazendo a rastreabilidade dos seus multiplicadores de sementes e isso pode se estender ao monitoramento de resíduos de agrotóxicos nas fazendas e eficiência no uso da água, dependendo de outros sistemas acoplados à solução.

A Perfect Flight foi fundada pelo Grupo JCN, dos produtores Kriss Corso e Josué Corso, com participação de 29,9% cada na agtech, e recebeu aporte de R$4 milhões em 2019 do empresário Norival Bonamichi, fundador da indústria veterinária Ourofino, que hoje detém fatia de 12% na startup, avaliada em R$25 milhões. Outros 23,5% são de Pedro Bonamichi e 4,7% de um escritório de advocacia. O faturamento esperado pela startup em 2020 é de R$4 milhões.

Fonte: Valor Econômico

Confira na íntegra pelo link: https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2020/01/24/aplicacao-sustentavel-de-agrotoxicos-e-aposta-de-agtechs.ghtml
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